Reunião entre Costa e Montenegro: Mais de três horas de uma conversa "agradável" e sem decisões no que toca ao aeroporto

Depois de mais de três horas e meia de reunião, António Costa disse à comunicação social que teve uma conversa "agradável" com o líder do PSD, Luís Montenegro, adiantando que não procuraram formar acordos quanto ao novo aeroporto de Lisboa, mas antes partilhar informação, deixando eventuais decisões para uma conversa futura.

Luís Montenegro chegou à residência oficial do primeiro-ministro pelas 10:00, saiu às 13:42. Uma reunião longa que acabou sem declarações por parte do atual líder do PSD.

Minutos depois, em declarações à imprensa, António Costa deu conta de uma conversa "longa" e "agradável", onde teve a oportunidade de "abordar temas muito diversos e, como é dever do governo, transmitir informações o mais pormenorizadas quanto possível" sobre matérias de política interna, de defesa, de questões de matéria europeia e sobre a situação económica do país.

O encontro visou ainda definir "metodologias de contacto e de trabalho" entre o governo e o PSD.

O tema do novo aeroporto de Lisboa foi abordado, mas sem acordo à vista. "Cada um trocou informações que tinha e ficámos de voltar falar brevemente", disse Costa, adiantando que Montenegro se encontra neste momento a auscultar o próprio partido sobre esta matéria.

Uma "conversa agradável" e, assegura Costa, "a primeira de muitas", resumiu.

Questionado sobre o tempo que demorou esta conversa, Costa respondeu justificou: "entendo que é meu dever e é de utilidade para o país que o líder da oposição tenha uma informação tão precisa quanto possível sobre algumas questões fundamentais da governação e, portanto, essa conversa foi necessariamente longa. Uma conversa agradável e seguramente produtiva", reiterou.

O primeiro-ministro e o presidente do PSD estiveram reunidos a sós, hoje, em São Bento, durante mais de três horas e meia, no primeiro encontro entre ambos.

Com o anterior líder do PSD, Rui Rio, a primeira reunião em São Bento com o primeiro-ministro aconteceu no dia 20 de fevereiro de 2018. Foi também considerada longa, cerca de duas horas e meia, mas bem mais curta do que esta de hoje com Luís Montenegro.

No final do encontro, em que António Costa e Rui Rio também estiveram a sós, o ex-líder social-democrata admitiu que havia “uma nova fase” nas relações com o PS.

Rio anunciou então que nesse mesmo dia iria indicar os interlocutores para o diálogo com o Governo nas áreas da descentralização e do quadro comunitário Portugal 2030. Governo e PSD chegaram a um acordo de princípio sobre esses dois temas - descentralização e fundos comunitários - um mês depois dessa primeira reunião entre Rui Rio e António Costa, em São Bento.

No final de maio, Luís Montenegro foi eleito líder do PSD com mais de 72% dos votos, sucedendo no cargo a Rui Rio, e entrou formalmente em funções no início deste mês.

Logo no início de junho, numa conferência promovida pela Câmara do Comércio Luso Espanhola, em Lisboa, o primeiro-ministro afirmou que a nova solução aeroportuária para a região de Lisboa terá de ser decidida em consenso com o PSD, justificando que se trata de um processo estruturante para várias legislaturas e que condicionará a ação de vários governos.

No passado dia 29, enquanto António Costa estava a participar na cimeira da NATO em Madrid, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, fez publicar um despacho com uma solução aeroportuária – Montijo mais Alcochete – e afirmou que prescindia de um acordo com o partido de Luís Montenegro sobre essa matéria.

Porém, no dia seguinte, António Costa determinou que o ministro das Infraestruturas revogasse esse despacho e reiterou que a solução referente ao novo aeroporto da região de Lisboa terá de ser tomada com base num acordo com o PSD.

Na quarta-feira, em entrevista à CNN, o líder do PSD afirmou que iria transmitir em primeira mão ao primeiro-ministro a posição dos sociais-democratas sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa.

Deixou também avisos ao executivo socialista sobre esse processo.

“Uma coisa é dialogar com o maior partido da oposição, outra é deixar de decidir. Quem tem de decidir é o Governo e o primeiro-ministro. Era muito interessante discutir a opinião do PSD, mas temos de discutir a opinião do Governo”, declarou nessa entrevista.

Fonte: SAPO 24


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